quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Panair do Brasil ! As asas que não foram quebradas.

Lockheed L-049 Constellation pintado nas cores e marcas da Panair do Brasil no Museu TAM em São Carlos (SP).

Estávamos no ano de 1965, mais precisamente no dia 10 de fevereiro uma quarta-feira, eu e minha irmã estávamos ainda de férias escolar e meu pai estava retornando ao trabalho após as suas férias.
Vivíamos em um apartamento de dois quartos, alugado, em Jacarepaguá, meu pai acabara de comprar os móveis novos e eu brincava com o trenzinho elétrico que ele havia trazido de Manaus, juntamente com uma calça Lee, que tinha até joelheiras.
A situação do país estava muito ruim pois ainda sentíamos o amargor recente do golpe militar, e as perspectivas não eram boas. Minha mãe vivia preocupada com o pai pois ele era envolvido com questões do sindicato dos aeroviários e era totalmente contra o golpe militar, claro.
Neste dia meu pai demorou a retornar do trabalho, mas como a demora era o normal devido a sua profissão de mecânico de avião, não estranhávamos. Lembro que ele chegou bem tarde, cabisbaixo, triste e chamou minha mãe para conversar, lembro de frases como:
- E agora o que vou fazer, aluguel, despesas domésticas, os meninos?
- Como eles fizeram isso, como pode acontecer?
- Todo mundo perdeu o emprego.
Meu pai era um dos cinco mil funcionários da Panair do Brasil, que perderam o “chão” após a cassação do certificado de operação, uma falcatrua política/jurídica que envolveu também a Varig, conforme documentário exibido na Globonews em 04 de novembro de 2017. Coisas que permeiam os Poderes Tupiniquins até hoje e que parece ser um câncer que se faz perene e se recusa a “morrer”.
O que ocorreu com a Panair do Brasil foi algo inusitado e um fato totalmente desconhecido, ou escondido, da maioria da população brasileira. Quero crer que a galera que fica conclamando uma nova intervenção militar, também desconheça o fato, ou pior, concordam.
Resumidamente: A Panair do Brasil era a maior empresa aérea da América Latina, dona de cinco aeroportos no Brasil, a única empresa que levava assistência social aos povos indígenas da Amazônia através dos aviões catalinas, tinha escritórios na Europa e USA, voos nacionais e internacionais regulares, dona de uma avançada oficina de manutenção de motores, a CELMA, e ainda fornecia a infra de telecomunicações para Aeronáutica. Uma empresa de ponta nas terras tupiniquins. Teve sua operação cassada, em 1965, sem nenhuma fundamentação financeira ou jurídica tanto que em uma ação movida contra a União Federal, finalmente no ano de 1984 o STJ declarou que a falência da Panair fora fraudulenta e a União deveria ressarcir a Panair. Isto nunca ocorreu.
Os efeitos desta perniciosa ação, inconsequente e criminosa, afetou a vida de cinco mil famílias de pilotos, aeromoças, mecânicos e demais funcionários; perderam de um dia para outro, seus empregos sem entenderem o que estava ocorrendo, alguns cometeram suicídio. Quanto a nossa família, e deve ter ocorrido algo bem semelhante com as demais, cito alguns momentos:
- Meu pai, para conseguir a pão nosso de cada dia, foi trabalhar em uma oficina mecânica de automóveis ganhando quatro vezes menos,
- Meu pai foi na loja que havia comprado os móveis e conversou com o dono da loja sobre sua situação e disse que não poderia pagar a prestação dos móveis. O dono da loja disse: não se preocupe, fique com os móveis e me pague quando puder,
- Um mês após a “demissão” de meu pai, ele chegou em casa preocupado, pois não teria dinheiro para arcar com as dívidas do mês, ao falar como minha mãe ela disse, não se preocupe pois o dinheiro de teu décimo terceiro e férias, eu guardei não foi gasto
- Fui algumas vezes com meu pai, apanhar nas instalações da Panair, a cesta básica que foram doadas aos funcionários, por algum tempo.
- Meu pai, como outros trabalhadores da Panair foi a julgamento civil/militar. No dia do julgamento não sabíamos se ele voltaria para casa. Durante a audiência o juiz perguntou ao Paulo Sampaio, presidente da Panair:
- O Sr. sabia que em sua Companhia havia uma célula comunista?
Ele respondeu:
- Meritíssimo em nossa Companhia não tem comunista, tem cinco mil famílias trabalhando em prol de uma empresa  
Os funcionários da Panair foram absolvidos.
- O dono do apartamento, onde morávamos, pediu o imóvel e ficamos sem ter para onde ir. Meu padrinho, tio, irmão de meu pai, que também era mecânico de avião na Panair e um ser humano fantástico, nos acolheu em sua casa. Uma casa de quatro quartos onde moravam cinco pessoas, meus tios e primos, fomos nós quatro também morar.
Os anos passaram, muitos outros desafios foram superados e hoje estamos aqui, meu velho pai tem 92 anos e minha mãe também, estamos bem.
 “Todo mundo quando lembra a ditadura, lembra com razão da tortura, das mortes, da violência contra os partidos políticos, mas pouca gente presta atenção na violência jurídica, a violência jurídica não sai sangue, mas é tão grave quanto a outra violência, a violência jurídica é disfarçada ela se dissolve, as pessoas não acompanham” Artur da Távola.
A violência jurídica é algo sistemático nos poderes nacionais, não importando suas pobres ideologias.
Eu, meus pais, a Lu os Ths mais velho e o do meio, assistimos o documentário pela Globo News, mas ele está disponível no Youtube, no link abaixo. Convido vocês a também conhecerem a Família Panair.
Panair do Brasil, um exemplo de Gestão e empreendedorismo, que na época (ha mais de 50 anos) incomodou muita gente.

https://www.youtube.com/watch?v=e1A9W_9xSts

By Brother60.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Eu não preciso de outro herói!

A grande maioria de nós tem a “necessidade” de reverenciar heróis ou ídolos.
Dentre esses, nos identificamos com cantores, atores, esportistas, políticos (por mais estranho que isso possa parecer), poetas, escritores e personagens diversos.
Sinceramente eu não tinha essas referências, mas há algum tempo eu também encontrei meu herói.
Um ser que surgiu como resultado de uma experiência científica, cresceu em um lar de “humanos” e assimilou nossa maneira de viver. 
Infelizmente como o “homo sapiens”, desde sua Aurora, se notabilizou em destruir fauna e flora, meu herói também sofreu as consequências desta marcante característica humana.
O destino de meu herói foi embalado e traçado para defender seu povo, que ficou a mercê da evolução produzida em laboratório e sofrendo as mazelas impostas pelos ditos humanos.
Meu herói teve uma existência repleta de desafios, superação, resignação e muita luta para manter seu povo unido, livre e sem opressão.
Meu herói se viu diante de decisões que o levavam ao extremo da escolha, e uma delas que o marcou de modo profundo, foi morrer ou matar o velho companheiro que se rebelou de forma violenta contra aqueles que o violentaram de forma tão brutal. Terminou traindo meu herói, o amigo de longa jornada, foi “Judas” tentando ser “O Príncipe”.
Meu herói conduziu seu povo com dignidade, amor, dedicação, determinação, fé, perseverança e honestidade, sentimentos e virtudes tão raras em nosso mundo contemporâneo.
No fim de sua jornada, como um sapiens, meu herói deixou o ódio superar sua missão de líder, após sua mulher e seu filho perderem a vida devido a inconsequente atitude humana e sofreu as consequências de sua opção.
O ódio de meu herói, por desígnio da “fatalidade” que abateu seu algoz, não comprometeu seu destino e com a ajuda da natureza cumpriu sua missão e libertou seu povo.
Meu herói tinha espírito de guerreiro e o coração de um grande líder, meu herói não morreu de overdose, morreu por amor a seu povo.
By Brother 60.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Os imigrantes



Nosso planeta é repleto de nações, povos, povoados e tribos, cada um com suas tradições, temperos, comidas, bebidas, vestimentas, ritmos e danças. Dentro deste contexto, nosso país surpreendente pela diversidade e riqueza cultural, com uma forte contribuição dos imigrantes, cuja beleza e versatilidade vai do Oiapoque ao Chuí.

Fomos comemorar meus 60 aninhos, em Bento Gonçalves, um lugar muito agradável onde pudemos passear pelas vinícolas do Vale dos Vinhedos e fazer um passeio de trem Maria Fumaça, de Carlos Barbosa para Bento. Um passeio mágico o qual também fomos agraciados com uma aula de história sobre a imigração italiana para o Brasil, que ocorreu logo em seguida ao “êxodo” dos alemães, e um almoço fantástico embalado por polenta, massa, frango, salada, carne de gado e um belo vinho tinto.

Os italianos, como os alemães, enfrentaram grandes dificuldades para chegar a terra prometida, a “América”, e aqui chegando trabalharam muito para tentar se estabelecer e se adaptar em um outro país, uma nova cultura, um outro povo.  

No dia seguinte ao passeio, a Lu havia me reservado outra surpresa: um jantar embalado pela beleza da dança árabe. 

Toda dança tem a sua beleza, seu balanço, seu ritmo e o desafio daquele que a pratica é transmitir em movimentos toda uma gama de emoções proposta pela melodia. A dança árabe nos oferece algo de uma beleza intensa através de corpos uníssonos em um balé corporal onde cada som parece ser inspirado dentro de um contexto no qual cada braço, perna, quadril, seio, lábios e olhares nos oferece uma perfeita sintonia com um tom, algo que é impossível parar de admirar, de se emocionar. Além do belo espetáculo, nosso jantar foi regado a especiarias árabe com um maravilhoso vinho tinto produzido pelos italianos e seus descendentes em terras gaúchas.

Diante desta miscelânea cultural, a ocasião ficou bem interessante pois na “terra” dos italianos e seus descendentes, um show de dança árabe foi ,no mínimo, algo intrigante.

Para finalizar nosso passeio não poderíamos deixar de visitar as tradições alemães e fomos à Blumenau para conferir a Oktoberfest. Um novo show de tradições, vestimentas, comidas, sons e ritmos regados a salsicha, joelho de porco, chucrute e cerveja, feitas por alemães e seus descendentes no vale europeu catarinense.

A essência de um povo está na sua história e a nossa é composta pelo somatório das histórias e características de vários povos que compõem esta miscigenação mágica que nos une e oferece o que poderíamos chamar de "o melhor da globalização".

https://www.youtube.com/watch?v=Dyp-P5CqvtI

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O segredo do pajé

Há alguns muitos anos, li o livro “As aventuras de Tibicuera” do Erico Veríssimo.  O livro narra as aventuras, do índio Tibicuera, que se  iniciam em 1500 e terminam em Copacabana no ano de 1942, ou seja Tibicuera participa do descobrimento, da monarquia, da independência , da abolição da escravidão, da criação da república  e por aí vai. Um espírito “teimoso” que se faz perene, quem sabe, até os dias de hoje. Vocês devem estar pensando:
- Como alguém consegue viver tantos anos?
A resposta está no capítulo “O segredo do Pajé”, onde:

“ O remédio está aqui dentro, Tibicuera. Não há feitiçaria. O pajé gosta de ti. Ele te ensina. Escuta. O tempo passa, mas a gente finge que não vê. A velhice vem, mas a gente luta contra ela, como se ela fosse um guerreiro inimigo. Os homens envelhecem porque querem. Só muito tarde compreendi isso. Tibicuera pode vencer o tempo. Tibicuera pode iludir a morte. O remédio está aqui — tornou a bater na testa. — Está no espírito. Um espírito alegre e são vence o tempo, vence a morte. Tibicuera morre ? Os filhos de Tibicuera continuam. O espírito continua : a coragem de Tibicuera, o nome de Tibicuera, a alma de Tibicuera. O filho é continuação do pai. E teu filho terá outro filho e teu neto também terá descendentes e o teu bisneto será bisavô dum homem que continuará o espírito de Tibicuera e que portanto ainda será Tibicuera. O corpo pode ser outro, mas o espírito é o mesmo. E eu te digo, rapaz, que isso só será possível se entre pai e filho existir uma amizade, um amor tão grande, tão fundo, tão cheio de compreensão, que no fim Tibicuera não sabe se ele e o filho são duas pessoas ou uma só.”

É uma “visão” bem interessante sobre o que poderíamos entender como reencarnação.
Repentinamente esta bela ficção do Veríssimo me veio à mente outro dia quando sai para um lanche com o Th mais novo. Fiquei observando ele dirigindo do meu lado, lembrei de sua infância, sua adolescência e hoje na universidade. Nosso lanche foi regado a conversas sobre temas diversos e como não poderia deixar de ser, sobre a atual situação política do país e fiquei admirado com seu discernimento e sua maturidade
Tenho três filhos e o convívio com cada um deles foi, e é, um aprendizado gratificante no qual em várias ocasiões me vi/vejo na situação de “filho” e não de pai.
Sinceramente não sei como “adaptar” as lições de longevidade do pajé à dinâmica da vida contemporânea onde os relacionamentos afetivos são suscetíveis às intempéries dos apelos ao imediatismo, ao individualismo, ao consumismo, ao narcisismo, à disputa, ao egoísmo, ao individualismo em um mundo onde a prioridade passou a ser utilizar a tecnologia da virtualidade para mostrar o “eu estive lá”, “eu sou feliz”. Uma dependência emocional e “hormonal” do “like”, do “curtir” etc; mas com certeza tem algo que não mudou, não muda e jamais mudará que é o respeito da vida de um para com o outro, é o amor, a sinceridade, os valores, a ética, o exemplo que devem permear os relacionamentos familiares ou não.
Hoje além do convívio com meus filhos e minha querida Lu, tenho o privilégio do convívio com meus pais que tem 92 anos, mais um aprendizado gratificante na minha caminhada existencial.
Não consigo definir a dimensão de nosso relacionamento, avo-pai-filho, mas independente da “eternidade” de meu espírito, nosso convívio moldou o que poderíamos chamar de “eu”.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

E se você descobrisse que morreria na semana que vem, o que farias?


Há 10 anos eu rabiscava um texto cujo o título era “Um novo cinquentar”, na época eu ainda estava trabalhando em Telecom, morávamos em um apartamento e tínhamos uma cadelinha chamada Frida.
Meu texto foi embalado pelo amanhecer da chegada do já meio século de muitas idas e vindas, chegadas e partidas, encontros e desencontros, mudanças e escolhas, lágrimas e sorrisos e de passeios matutinos com a Frida, que gostava de carinho mas era muito tímida no carinhar.
Eu costumava dizer que se eu morresse antes da Frida, ela ficaria em uma situação difícil, pois a pequenina não saia de perto de mim, onde eu estava ela ia atrás como um “personal angel” canino a cuidar de seu “dono”. Frida partiu antes, creio que está no céu fazendo as pazes com Amora, que precocemente também partiu.
Não sei se isto acontece com todos que chegam aos 50 anos, mas naquele momento bateu em mim algo diferente dos outros aniversários, algo de recordações com pitadas de saudades daqueles, cuja separação geográfica e por razões diversas, se fez presente, daqueles que partiram para outras moradas da casa do pai e de momentos incríveis que permearam minha existência até então. 
Agora, na perspectiva da chegada dos “60”, há alguns dias, a Lu me perguntou:
- Não vais escrever nada para o sexagenário?
Confesso que isto me assustou, pois pela primeira vez percebi que se passaram dez anos desde a primeira metade, supondo que 50 seja uma metade plausível para algumas encarnações que tem a pretensão de só partir aos 100, uma “meta” que não leva em consideração as diretrizes firmadas na “pré” encarnação.
Fiquei pensando sobre a pergunta da Lu e há três semanas, em um determinado momento o qual estava assistindo uma palestra na casa espírita, a palestrante olhou para mim e me fez a seguinte pergunta:
- Se você descobrisse que morreria semana que vem, o que farias?
Olhei para ela, creio que um pouco atônito, e respondi:
- Eu não sei.
Esta pergunta ficou tatuada em minha mente, e desde então me vem com frequência como um enigma o qual eu preciso decifrar, independente da espiritualidade ou do grau evolutivo que eu pretensiosamente tenha alcançado.
Durante os últimos dez anos nossa vida mudou, estive professor por 5 anos, mudamos para uma casa que fica pertinho do Atlântico Sul, o Th do meio foi morar no vale europeu tupiniquim, me tornei o cozinheiro oficial da prole, e no tocante ao rango, redigi e aprovei a constituição culinária do lar , de parágrafo único, onde : todos tem o dever de comer o rango todo e o direito de nunca reclamar do mesmo. Um limite “imposto” para amenizar possíveis equívocos culinários.
E o que realmente mudou em mim nesses últimos 10 anos? Interessante pensar nisso neste momento de minha vida. Considerando as perspectivas de minha geração, pelo menos a maioria, nosso foco era programado visando a realizações materiais: estudar, arranjar um bom emprego, constituir uma família, ter filhos, carro, uma casa, se aposentar e ir morar perto do mar. Isso eu consegui, e daí? É isso? E depois, qual os novos desafios, as metas? Creio que o grande desafio é a busca perene do aprender e do reaprender com os mais velhos e com os mais jovens, é encontrar a espiritualidade relegada ao segundo plano, é encontrar a serenidade e o discernimento necessários para prosseguir a caminhada em um mundo cuja dinâmica, infelizmente, nos convida ao individualismo, a futilidade, ao consumo, a superficialidade e ao falso entendimento de que nossa materialidade não é efêmera.
Na soleira do Atlântico Sul descobri que:
- meu inferno é do tamanho de meu orgulho, de meu egoísmo e de minha vaidade e os degraus de minha evolução, um desafio dioturno, são: a gratidão, o perdão, a indulgência e a caridade
- acordar todos os dias, ouvir, cheirar, ver, caminhar, falar, sentir, respirar são dádivas que carecem de cuidados 
- não precisamos de muito dinheiro, o belo está no simples, cozinhar é um prazer, a paciência é sublime, a amizade é um tesouro, o amor rejuvenesce
- o vento e a lua fazem do mar um "ser" passional
- a visita anual das baleias é uma emoção que nos remete à infância
- o vento gelado que sopra do Sul me encanta 
- quem ama cuida, quem cuida doa
- minha outra metade existe e preenche minha solidão existencial.
Enfim, se eu morresse daqui a uma semana, em meu último “enta” definido pelo destino, pelo acaso ou quem sabe pelos desígnios de Deus, eu consiga ter alcançado o que está resumido na letra da canção do poeta:
“Já sei olhar o rio por onde a vida passa, sem me precipitar e nem perder a hora”
By Brother60

terça-feira, 28 de março de 2017

Nas asas da TAM


Olá pessoal, há muito tempo não publico nada,  mas hoje não sei porque me veio a saudade de uma galera que recebia todas as sexta feira, como castigo, um e-mail meu.
Então segue um de 2009, para galera matar a "saudade".

E aí nômades e nativos, só no verão do outono?
Na sexta, fui resolver umas “pendengas” na terra do pequi, em um tour very fast.

Peguei o TAM BUS às 06:30h em Floripa e cheguei na Capital do Goiás às 10:10h.

Resolvi minhas paradas, fui para rodoviária, aliás a “rodo” de Goiânia é bem legal, peguei um buzu às 13h  e cheguei no DF , cuja “rodo” é uma M...., às 16h.

A princípio iria retornar somente no domingo, mas devido a outras pendengas na ilha, fui para o aeroporto da capital federal tentar trocar a passagem de 3000 pontos em uma , a princípio, de 10000 pontos.

Chegando no aeroporto estava aquela coisa linda (essa eu estou aprendendo com os manezinhos) , uma porrada de gente, fila para tudo que é lado e aquele êxodo peculiar da “corte” nos finais de semana.

Eu estava no maior rango e deixei para jogar aquela conversa fora com a menina TAM , após forrar o bucho.

Encarei aquele rango básico no Girafas, tomei uma bem gelada, fiz uma horinha e fui tentar a sorte.

Chegando no balcão, com aquela cara de menino pedindo colo, perguntei para a moça simpática :

- Haveria possibilidade de trocar minha passagem para hoje ou amanhã?

Ela disse :

- Deixa eu verificar

Após alguns tec tec no teclado veio a notícia ,

- Pode ser no voo das 21:51h ?

Pensei comigo? Era tudo o que eu queria, voltar sem escalas e ainda hoje! aí eu disse :

- Pode sim .

A menina me entregou a passagem, assento 19C e mais uma vez eu pensei :que coisa linda.

Liguei para a Lu dando as boas novas e fui esperar minha cunhada e meu sobrinho na praça de alimentação onde ninguém sabe onde tem um Cyber Café , mas ele está lá, no Mezanino do aeroporto.

Ficamos batendo um papo, a hora foi passando, nos despedimos e eu fui para o voo 3075 , Brasília - Florianópolis no stop, ou seja , “diretasso”.

Mais ou menos na hora foi anunciado o desejado embarque e aí começou a ficar interessante.

O brother da locução disse :

- Senhores passageiros do voo TAM 3075 com destino Florianópolis, a nave se encontra em solo e assim que for autorizado o embarque , o mesmo será pelo portão 13.

Portão 13? , não era no 12?

Bem, a galera apressada, não sei porque pois o assento é marcado, foi fazer fila em frente ao portão de embarque.

A galera que tem mais horas de voo percebeu que iria demorar um pouco e ficou relaxada, sentada e olhando os “bobões”.

Foi anunciado o embarque. Prioridade para crianças, idosos e a galera do fundão, pois os do início entram depois, o que é bem lógico.

Eu como estava com a 19 entrei nessa leva e fiquei observando os “bobões” do início da fila , que por sinal só pedem cadeiras da 12 para frente e entram por último.

Me veio até aquele lance de os últimos serão os primeiros , aquela sacanagem básica , saca?

Enfim todos sentados dentro do AIR BUS 320, mas o bicho não se mexia, depois de alguns minutos surge a voz a lá Cid Moreira do ilustríssimo comandante:

- Senhores passageiros, boa noite, sejam benvindos a bordo do jato Airbus A320 da TAM com destino a Florianópolis. Nossa demora está sendo devida a uma verificação em um dos nossos computadores e deve levar uns 10 minutos, que é o tempo estimado para o início de nossa viagem.

Verifica dali, verifica daqui e o AIR BUS iniciou sua partida às 22:30h.

Durante aquela procissão para pegar a cabeceira da pista, notei que durante o deslocamento ocorria um barulho não habitual embaixo do grande pássaro.  

Pensei comigo? Se eu estou escutando o barulho o piloto e a tripulação também estão, e se estamos indo em frente deve estar tudo OK.

Pegamos uma carona no rabo de um GOL e ganhamos o céu do Planalto Central.

Fomos subindo, subindo e depois de uns 25 minutos, repentinamente, um puta de um barulho debaixo do grande pássaro, mais um , mais um e mais um .

Todo mundo ficou mais assustado do que do que gato com busca pé amarrado no rabo.

Um silêncio sepulcral tomou conta do interior .

Os mais viajados notaram que o ilustre comandante diminuiu a velocidade e meu colega da 19 A, constatou no seu GPS (que deu uma pequena confusão entre ele e a tripulação pois ele não queria desligar) que nossa velocidade era de 740KM e não os famosos 840KM .

Eu olhei para ele e disse :

- Brother eu acho que o piloto abaixou o trem de pouso e subiu em pleno voo?

Começaram a servir aquele basic hot sanduba , pediram para a galera relaxar e informaram que estava tudo bem.

O nosso querido Cid Moreira voltou a dar o ar da graça  e comunicou exatamente o que eu havia falado/pensado:

-Senhores passageiros , o barulho que os senhores ouviram foi devido a uma indicação em nossos computadores de que uma das comportas do trem de pouso dianteiro não havia fechado e tivemos que refazer o procedimento. Agora está tudo belezinha.?

Afinal depois de 34 anos voando pelo céu desse belo país eu já tenho alguma experiência no assunto........

Bem, o resto do voo foi muito bom, muito tranquilo e chegou o momento do anuncio da tão esperada aterrissagem, aí eu pensei comigo :

- Se foi complicado subir o trem de pouso, será que vai ser fácil desce-lo ??

Não preciso dizer que o pouso do grande pássaro ocorreu dentro da normalidade e com aquele habitual levantar apressado/estressado dos passageiros “bobões” que adoram atrapalhar, empurrar e espremer uns ao outros, algo que os especialista em comportamento humano devem saber explicar.

Enquanto isso eu fico ali , sentadinho e relaxado. Depois da passagem da boiada eu levanto e sigo na mais que perfeita tranquilidade.

Ao descer do avião havia um profissional da TAM, com uma lanterninha na mão, verificando o nosso VILÃO.

Que coisa mais linda ............................................

Um belo final de semana para todos.

By Brother51º

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Em 2017, vamos fazer diferente, vamos colonizar nossos corações.

Foto do site bing.com/imagens

Em 2016 ocorreram 23 ataques terroristas no mundo.
Boko Haram e Estado Islâmico passaram a fazer parte do cotidiano dos noticiários, além da barbárie na Síria que persiste com a “anuência” e o “patrocínio” dos governantes mundiais.
Diariamente centenas de pessoas, por medo e opressão, se aventuram ao mar tentando chegar à velha terra prometida, Europa.
Terremotos, tsunamis, vulcões, furacões e tornados levantam-se como cavaleiros da natureza, como todo o sempre, a nos lembrar nossa pequenez.
A população mundial cresceu dez vezes mais nos últimos 200 anos, do que nos milhares de anos predecessores.
Fome, miséria, doenças continuam perenes, como uma herança existencial, para alguns povos, notadamente africanos, cujo “karma” parece definir um destino imutável.
O planeta reclama sustentabilidade, e nós continuamos com nossas sacolas plásticas, nossas garrafas pet, nossos carros e com nossa vaidade maltratando a terra.
As ideologias teóricas e pragmáticas dos políticos, se perdem na vaidade do poder, afinal como alguém disse “A conquista enobrece mas a posse avilta”.
A dinâmica da tecnologia, a Internet e nosso modelo sócio econômico, nos convida ao virtual, ao individualismo, ao narcisismo, ao consumo e a solidão, um momento histórico que poderíamos chamar de a Revolução da superficialidade.
Nosso DNA já não é tão misterioso, e em breve poderemos escolher as características de nossos herdeiros, viver 200 anos e plagiarmos Andrew Martin.
Talvez o planeta venha derreter mas poderemos morar em Marte ou quiça em outra Galáxia.
Tragédias continuarão acontecendo mas , felizmente, alguns nos lembraram que existe algo mais sublime no ser humano: o amor, a compaixão,a caridade. Medellín é muito mais digna do que um Cartel e diante desses fatos nos lembraremos de Drummond:
...Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.”
Um belo 2017 para vocês.