quinta-feira, 21 de maio de 2026

Nos Igarapés do Igapó

Nos Igarapés do Igapó

Parte I

Estávamos em 2025 quando a Lu falou: — Ano que vem faremos 40 anos de casados.

Lembrei dos anos vividos, da parceria, da amizade, do namoro. Dessa coisa gostosa de eu estar na vida da Lu e ela na minha; dos desafios e superações; das alegrias e tristezas; das lágrimas, dos sorrisos e de nossos passeios e viagens.

Pensei, num primeiro momento, em irmos para o Nordeste, algum lugar que ainda não conhecíamos. Aí a Lu veio com a sugestão: — Vamos fazer um cruzeiro no Rio Negro, no Amazonas. Uma amiga fez e disse que é muito legal.

Confesso que estranhei a proposta, mas ela me mostrou o roteiro, o navio da Ibero Star, os passeios pelo igapó e pelos igarapés, e achei tudo muito interessante.

Definimos nosso pacote: chegada em Manaus no sábado; embarque no navio na segunda; desembarque na sexta; retorno para Floripa no domingo.

Com tudo definido, partimos para Manaus, que fica, de avião, a uns 3 mil quilômetros de Floripa.

Parte II

Pegamos nosso voo em Floripa às 4h50, com escala em São Paulo, e chegamos a Manaus às 10h50 — lembrando que o fuso horário de Manaus é uma hora a menos que o de Brasília.

Nesse primeiro final de semana em Manaus, demos uma volta pela cidade, visitamos o MUSA (Museu da Amazônia) e jantamos no restaurante Caxiri.

No MUSA, nosso guia nos mostrou e explicou sobre serpentes, aracnídeos, borboletas, cogumelos, fungos, peixes, vitórias-amazônicas e toda a diversidade biológica e cultural presentes no bioma. Subimos também a torre de observação de 42 metros, de onde se tem uma vista panorâmica de 360 graus da copa das árvores da reserva florestal.

No Caxiri, degustamos pratos da culinária local — uma bela surpresa em sabores e temperos: pirarucu, tambaqui, camarão, jambu etc., acompanhados de bebidas com taperebá e cumaru.

Parte III

Na segunda-feira, às 16 horas, embarcamos no navio Ibero Star e zarpamos às 18 horas para nossa aventura pelo Rio Negro.

Os dias de passeio foram marcados pelo novo, pelo belo, pelo inusitado. Navegamos pelo rio, entramos nos igarapés, visitamos uma comunidade indígena, conversamos com os moradores, conhecemos a escola — referência para as comunidades próximas — assistimos a uma apresentação de dança e tomamos um banho energizante no Rio Negro.

Visitamos a casa do seringueiro, onde aprendemos sobre o ciclo da borracha e o que ele representou para o povo, para as comunidades e para a cidade de Manaus. Um ciclo marcado por sofrimento, escravidão, opressão e morte para a grande maioria, e por riqueza, ostentação e domínio para aqueles que detinham o poder e o dinheiro. Uma história pouco conhecida por nós.

Visitamos também a casa do caboclo, onde aprendemos sobre a plantação e a colheita da mandioca, seus tipos, as ferramentas para descascar, moer, extrair a goma, assar a tapioca no tacho e, claro, saborear. Conhecemos as árvores da castanha, do cumaru, do taperebá, do cupuaçu, do urucum e do açaí. Comemos castanhas in natura e tomamos o açaí também in natura.

Além desses passeios, todos os dias tivemos o privilégio de assistir a palestras sobre fauna, flora e cultura do Amazonas — um verdadeiro banho de aprendizados.

Na quita feira à noite, fomos presenteados com o jantar com o capitão do navio. Após o jantar assistimos a uma apresentação cujo tema foi o festival de Parintins com os bois Garantido e Caprichoso. Belíssimo

Parte IV

Na sexta-feira retornamos a Manaus e, à noite, fomos assistir à ópera Salvator Rosa, de Carlos Gomes, no Teatro Amazonas. Simplesmente belo, magnífico. Nunca havíamos assistido a uma ópera, e ver a primeira justamente no Teatro Amazonas é um presente dos deuses — algo que não consigo traduzir em palavras.

No sábado, mais uma surpresa: visitamos o Centro Cultural dos Povos da Amazônia, o museu, a réplica de uma maloca e um espaço dedicado a Samuel Benchimol.

Nunca havia ouvido ou lido nada sobre Samuel, que, no meu entendimento, todos deveriam conhecer pela grandeza de sua obra e de tudo o que representou — e ainda representa — para o povo do Amazonas. À noite, fomos jantar no restaurante Banzeiro e experimentar outros sabores e temperos amazônicos.

No domingo, retornamos para a soleira do Atlântico Sul.

O bioma Amazônia, entendo eu, é um “sincretismo” de vários ecossistemas que convivem de forma harmoniosa e complementar. Algo grandioso, fantástico, belo e único.

Visitar o bioma Amazônia foi algo significativo e mágico para nós. Aprendemos muito sobre esse pedaço norte do “continente” Brasil: sua história, sua cultura, sua gente, seus personagens, sua comida, seus mistérios.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário