quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sushi Grandfather


Há algum tempo fui “intimado” a exercer meus dotes culinários em pró da “prole”. Como já tenho uns KM a mais e desde os 18, ao sair da barra da saia da mamãe, já comecei a ter intimidade com temperos, cheiros e panelas, a coisa flui fácil. Na real defini para Lu e os TH a Constituição da Cozinha , o Alcorão que rege os desígnos da culinária no lar e a mesma é composta por um direito e um dever, ou seja : todos tem o direito de comer tudo e até repetir e todos tem o dever de jamais, JAMAIS, reclamar do rango. É meio na base da ditadura mais funciona que é uma beleza......
O grande desafio na confecção do rango diário é compatibilizar a variedade com o desejo e preferências de cada um, principalmente quando entre os cinco concorrentes alimentar há dois vegetarianos que não comem nem peixe, é F........
Mas entre um frango com sopa de cebola e um shitake xadrez eu vou dando meu recado, o bicho pega quando optamos pelos ensopados.
Como vivemos no modismo do “ tudo deve passar por um UPGRADE” resolvi dá uma turbinada nos meus dotes e fui participar de um treinamento de sushi&sashimi. Na real eu não gosto dos hossomaki e nem dos uramaki , sou chegado dos sashimi de Sake, Suzuki, Ebi e Tako, acompanhados pelo molho de Shoyu com Wassab, mas os Th carnívoros mandam muito nos *maki, a Lu e o Th mais velho também gostam, mas daqueles com Kyuri, Negi e frutas.
O fato que me chama atenção é que nosso paladar latino está muito distante do paladar dos asiáticos e sinceramente ninguém irá me convencer que gosta mais de um Shari do que um arroz quentinho temperado com alho e sal ou gosta mais de ebimaki do que um camarão com catupiri, ou prefere um shakemaki ao invés de um salmão com molho de alcaparras.
Mas então o que faz com que a galera goste tanto desse rango “sem graça” para os nossos padrões “gustativos” ?
Seria um ingrediente secreto no preparo do Sushi no su ?
Seria um modismo ?
Seria uma dieta saudável ?
Seria uma demonstração do poder da globalização culinária ?
Seria porque é fashion ?
Seria uma mudança de hábito imposta pela perspectiva do efeito 2012?
Pode ser uma combinação de tudo isso mas o que fascina nesse jeito asiático de fazer o rango é a arte do preparo, da paciência, do cuidado, da técnica, da confecção e apresentação do alimento a mesa.
Preparar um Uramaki, um Hossomaki, um Futomaki é uma terapia anti stress,
um ato de dedicação, doação e amor na arte da preparação daquilo que nos alimenta.
Creio que não serei um sushi grandfather mas com certeza minha relação com o alimento sofreu o que eu vou chamar de upgrade carinhoso............

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Namorar.


Estava eu em uma “plenária” interna para escrever algo que não fosse considerado a mesmice dos poetas, seresteiros e namorados, aquela coisa do último romântico, algo que por sinal nosso belo planeta está carente.
Temos por hábito, infelizmente, esquecer as coisas simples e boas da vida, talvez devido a nossa natureza contemporânea e confusa.
Normalmente quando pensamos ou discutimos relacionamentos, falamos em paixão, egoísmo, se ela dança eu quero futebol, os amigos dela não são interessantes, aquela lâmpada não foi trocada, você olhou para ela/ele, se for “trepar” não beba demais, ele nem me deu uma rosa no dia dos namorados, ele foi grosso com minha mãe, esse amigo dele é um babaca, a esposa do amigo é mais babaca ainda, ele não gosta de sair comigo quando vou comprar roupas ou sapatos !?!?!?, ele nem reparou meu corte de cabelo, esse bigode está ridículo, ela soltou um “pum”.....Tudo picuinhas e pirraças normais de qualquer relacionamento e que tende a ser mais ou menos grave quando um cede e o outro não, pois esquecemos que não podemos “possuir” o outro e sim conquistá-lo/la diariamente.
Abrir a porta para ela, convidar para um jantar a luz de velas, preparar seu café aos domingos, telefonar no “dia seguinte” e desejar-lhe um bom dia, escrever uma carta amorosa, não se importar em parecer bobo/a, dançar juntinho, suspirar com seu abraço, tomar o mesmo sorvete, passear de mãos dadas, fazer uma trilha, iniciar e ser iniciado.
Talvez o desafio para perpetuação dos relacionamentos seja a “manutenção” daquela coisa de liberar todas as “ina” (endorfina, adrenalina, dopamina e etc) no primeiro beijo, nos seguintes e no amadurecer, juntos, desta coisa gostosa que chamamos tesão.
Bem, torcendo para que algo tão mágico e excitante não se torne tão banal, segue algo que escrevi em junho de 2007 e que fala dessa coisa que merece se eternizar:
Namorar.
“A primeira troca de olhares,
O sorriso tímido, faceiro,
O primeiro beijo,
O arrepiar indescritível, o desejo,
Um não sei o que,
O suspiro, o anseio,
O que não se pode "adjetivar".

O sonhar todos os dias,
A serenata , o luar,
O querer perene,
O toque nos cabelos,
O "suar" das mãos,
O sussurro no ouvido,
O frio na barriga.

O pensar que com ela o mundo pode acabar,
Os primeiros versos,
O prazer interminável,
O estar junto,
O que não posso controlar,
A saudade alegre do próximo encontro.

Namorar, essa coisa gostosa,
Que acontece de repente,
Do eu entrar em sua vida e você na minha,
Inesperadamente...”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Iara Lee e os Lord of War



"Existem 550 milhões de armas em circulação no mundo. Isso é uma arma para cada 12 pessoas. O único problema é: Como armar as outras onze?"
A citação acima é mencionada no excelente filme protagonizado por Nicolas Cage na “pele” de Yuri Orlov que em um dia de stress experimenta até cocaina com pólvora, algo que deve ser bastante ”explosivo” mas condizente com a profissão do poderoso Yuri.....
O que me levou e lembrar do filme foi o fato de destaque da semana no nosso belo planeta globalizado: a ação dos “sobreviventes do holocausto” em relação a chamada frotilha de ajuda a Gaza.
Tentando assimilar o acontecimento comecei a fazer um tour pela história, notadamente no pós 2ª guerra, e lembrar de alguns de seus mais famosos personagens, dentre esses podemos citar : Reza Pahlavi , Fulgêncio Batista, Anastacio Somoza, Pol Pot, Lon Nol, Nikita Khrushchev, Mao Tse Tung, David Ben Gurion, Golda Meir, Moshe Dayan, Yasser Arafat , Richard Nixon, John Kennedy, Lyndon Johnson , Margaret Tatcher , Idi Amin, Bokassa, Charles de Gaulle e por aí vai. Alguns desses senhores foram notórios ditadores obedientes e utilizados como massa de manobra, sob a bandeira da liberdade, pelos Lord of War. A história da humanidade é pautada pelos que “mandam” e manipulam e por aqueles que “obedecem” , é aquela coisa de planeta de expiação onde a maioria tira nota baixa e infelizmente deixam seus sucessores ou a galera continua reencarnando e buscando a evolução no fim do túnel, como isso exige um árduo trabalho solitário e pessoal a tentativa de ”recuperação” se torna algo perene .
Bem, a triste constatação é que tudo continua na mesma e com um agravante: “os oprimidos de ontem, hoje oprimem”. O equilíbrio e a paz mundial ainda são fomentados pelos Lord of War onde a religião e a “ideologia” também ainda são utilizadas como “argumentos” para definição do bem e do mau.
O mundo vive em uma linha tênue entre a propaganda e a realidade na qual os detentores do poder levam grande vantagem, mas a natureza e a dependência econômica global estão mudando este cenário pois a religião e a ideologia podem ser “descartadas” em função do interesse econômico, ou seja, é uma relação entre os detentores de commodity e os que agregam valor ao mesmo; é o escambo baseado na especulação financeira, o resto fica roendo osso e “brincando” de guerrear.
Iara Lee e seus companheiros estão tentando nos dizer que podemos e devemos nos posicionar como seres humanos conscientes em relação a tudo aquilo que não é mais cabível e que não é mais admissível fechar nossos olhos para a galera que continua no limbo.
O incidente “frotilha” comprova nossa fragilidade existencial, nossa incoerência em relação ao que é certo ou errado, nossa tolerância egoísta, nossa ideologia conveniente, nossa omissão comodista, nossa futilidade.
Mas esses seres humanos e outros anônimos renovam a esperança de nossa redenção e quem sabe um dia os Lord of War serão apenas a triste lembrança de um passado distante...........
http://www.youtube.com/watch?v=bkhmyZrwj8I

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Efeito Borboleta


Interessante a constatação da experiência de certas teorias no mundo contemporâneo, mesmo que de uma maneira específica e não no seu contexto mais amplo.
Acredito que a grande maioria já leu ou ouviu alguma coisa sobre o efeito borboleta e a teoria do caos, algo que é pertinente a qualquer área: ciências, religião, sociologia etc .
O comportamento da natureza é uma constatação do “efeito borboleta” sofrido por todos: aquecimento global, o vulcão da geleira Eyjafjallajokull, queimadas, desmatamentos e por aí vai
Observando os fatos do mundo globalizado , percebemos o “efeito borboleta” notadamente na economia, pois uma instabilidade econômica (Grécia) ou o prenúncio de uma nova guerra (Coréia do Sul e Coréia do Norte) afetam as “especulações financeiras” ( bolsa de valores ) em todo o mundo.
Essa semana revi o filme The Butterfly Effect que trata o “efeito” como a conseqüência direta de nossos atos e atitudes do passado, enquanto encarnados, no futuro. É surpreendente observar, na trama, o que foi oportunizado ao protagonista, ou seja, os retornos ao passado para minimizar os efeitos negativos deste, de modo a permitir um futuro melhor para ele e para os que o cercam. É curioso constatar como um ato individual pode repercutir tanto na vida de outras pessoas, algo que merece uma profunda reflexão. Seria bem interessante se de alguma forma e ainda debaixo da batuta de nosso livre arbítrio pudéssemos exercitar o “efeito” em uma determinada idade, já pensaram como seria? Talvez nos fosse permitida apenas uma chance para “voltar” e mudar a nossa realização mais infeliz, que tal ? Talvez como na City of Angels, ficássemos em um “mundo” paralelo observando tudo e solicitando ao “pai” uma nova oportunidade, antes de ir para o “umbral”, para sentirmos sede, fome, frio, calor, amor, raiva, piedade, caridade e toda essa gama de emoções que constituem nosso corpo e nossa alma. Uma nova oportunidade para abraçar meus afetos e meus desafetos, uma nova oportunidade para aprender e entender Who I am.............
http://www.youtube.com/watch?v=FpO9MSEWpxc

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nas lentes de minha alma.


Me convidei a viajar nas lembranças, com a súbita inquietude da alma que iniciou com o “ciclone by Floripa” na terça.
Faltou energia e a rainha dos raios inundou o céu da ilha com os efeitos “estroboscópicos” de sua força, tendo como coadjuvantes o vento e a chuva. Vejam bem, não quero parecer sarcástico pois os efeitos colaterais ( desabamentos, queda de barreira, inundação etc )foram sofridos por muita gente na ilha, mas havia algo indescritível.
Tive vontade de sair à rua e ver bem de perto essa manifestação, mas se o fizesse a galera iria dizer que estou ficando senil, maluco e por aí vai. Fiquei na varanda, conversando com meu morro e apreciando o “prelúdio”.
Hoje peguei o 1.0 e fui para as bandas do Pântano do Sul, lugar que gosto muito e que o grande brother Milton ( o “mané izibido” do RJ) também gosta. O céu estava nublado,o sol acanhado e soprava aquela brisa gostosa. Ao circundar a Lagoa fui presenteado com o belo visual da galera da vela, a revoada de pássaros e toda aquela beleza natural que é peculiar na Conceição.
Chegando no Pântano fui até o Açores e a Solidão, o mar estava como eu, inquieto, como que a reclamar seu espaço e uma gaivota passeava solitária.
Nesta semana ouvi e vi a palavra saudade com uma certa freqüência e talvez minha inquietude seja uma saudade disfarçada, não é triste nem alegre é resignada.
Como nas estações do ano, os dias ensolarados ou chuvosos, o calor ou o frio, a brisa ou o ciclone, meu pensamento se manifesta, é dúvida e desejo, é o ontem , o hoje ou o agora, é momento.
Escrevo porque gosto, me completa, me faz sentir vivo e como nosso poeta das lentes, tento traduzir em palavras o que minha alma capta e fotografa, algo tipo “While my guitar gently weeps”. http://www.youtube.com/watch?v=vNBEiyGwGRc&feature=related

sábado, 15 de maio de 2010

Como vai essa vida de aposentado?

Outro dia uma amiga me enviou um e-mail comentando uma de minhas divagações e em um determinado momento ela perguntou:

- q q anda fazendo nessa vida de aposentado?

Entre outras coisas eu respondi:

- a vida de aposentado é um tanto quanto, vamos dizer, vida de aposentado. Você tem que cuidar mais da mente, corpo e alma, se não cai no marasmo e aí o bicho pega.

Na real essa coisa da aposentadoria é algo bem mais complexo, pois é uma fase da vida que depende de algumas variáveis onde as principais, no meu entendimento, são:
- a idade da “vítima” que será aposentada,
- o valor do benefício,
- como a vida pessoal e familiar estão estruturadas nesse momento,
- a atividade profissional,
- como foi o processo da aposentadoria (que no meu caso, e de outros amigos, não foi uma opção e sim uma imposição das circunstâncias. Eu fui aposentado, não me aposentei).
Outro fato interessante no meu processo de “convidado” a sair da empresa, foi que o mesmo ocorreu no dia de meu aniversário de casamento.
Aqui não cabe mágoas ou rancores pois minha visão daquilo que representamos para as empresas é ‘numeral” e “impessoal”, o affair está diretamente vinculado as “aspirações” e “determinações” empresariais ou "comportamentais" do dito colaborador.
Há algum tempo passou na telinha, programa Globo Reporter, uma matéria cujo tema era aposentadoria e cujo título, bem sugestivo por sinal, foi “Prêmio ou castigo”. Neste há várias situações de aposentadorias onde alguns relatos merecem destaque: perda do poder aquisitivo, sentimento de vazio, preocupações, saúde, filhos, “reclusão”, tristeza, insegurança, crise de identidade, penúria, escassez, depressão e uma que vou destacar: “projeto de vida”.
Eu não tinha um projeto de vida para o pós aposentadoria inesperada, creio que a grande maioria de nós não o tenha e isso é fundamental.
Não vou negar que passei por crises existenciais pois meu narcisismo orgulhoso se considerava um “talento desperdiçado” rssssssss, mas um fato interessante me fez cair a ficha de minha realidade profissional, ou seja :
Em um determinado momento fiz inscrição em um desses sites de classificado de empregos visando ter a “dimensão” de minha empregabilidade. O resultado foi tipo assim “um soco no fígado”.
Fiz inscrições para algumas vagas e nenhuma empresa fez contato. Um tempo depois um especialista me enviou um e-mail comentando meu currículo e a primeira dica foi :
- omita sua idade
Eu pensei :
- omitir minha idade? Como?
- meu currículo e minha idade denotam meus “talentos”! Ou não?
- será que sou tão bom que não há vagas disponíveis (o lado “narcisorgulhoso” di novo)?
- será que semelhante a jogador de futebol, meu passe, meus dribles, meu pique já são morosos e não consigo acompanhar a equipe?
- será que semelhante a um cantor, meus agudos e meus graves já não tem a mesma afinação?
Talvez sim, talvez não, mas valeu a experiência.
Com certeza existe um vazio que devo preencher ou não, pois o tempo se encarregará de dispersar ou atenuar.
Tenho alguns projetos de vida que se confundem, se misturam, se atrapalham, mas entendo ser algo natural, é alguma coisa parecida com a vida do menino que tem quinze anos, ou seja :
“é muito novo para ter os mesmos “direitos” dos meninos de dezoito e muito velho para que lhe sejam permitidas as “bobeiras” dos meninos de doze”.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Soweto Blues

Para variar estava navegando pela GloboNews e estava rolando um documentário bem interessante sobre a África do Sul, mas especificamente sobre Soweto.
A matéria abordava a realidade da cidade, seus encantamentos e suas mazelas, algo que a galera que vai curtir a Copa não irá perceber, aprender ou atentar.
Independente dos equívocos históricos e suas conseqüências, o continente africano vive a herança de seu “Karma” a lá The Constant Gardener e a Africa do Sul é hoje um “outro” país com o grande desafio da superação do que eu chamaria de “irresponsabilidade global”.
Aprendi algumas coisas sobre o país e descobri o Soweto Gospel Choir, revi a Miriam Makeba e algo fantástico chamado Soweto Blues.
Não sou um crítico de estilos musicais e nem tenho conhecimento ou musicalidade para tal, mas algumas composições me falam diretamente a alma, são fortes, densas e carregam uma emoção tão grande que transcendem a nações, idiomas, crenças ou cor da pele.
Pensando no fato histórico que marcou tão profundamente um povo, como vários outros foram marcados, segue abaixo o que a inspiração me permitiu.

E os homens diferentes chegaram,
Sua pele, seus olhos, sua cultura e suas verdades
Não são as minhas,
Mas me disseram que eu deveria obedecer

E os homens diferentes chegaram,
Eles disseram que eu não poderia cuidar de meu povo
Que não éramos desenvolvidos
Que trariam o progresso

E os homens diferentes chegaram,
E eles disseram que éramos inferiores
Que teríamos poucos direitos, mas muitos deveres
Que sua lei iria definir e cuidar de nossas fronteiras

E os homens diferentes chegaram
E eles disseram que seu Deus nos traria a redenção
Que deveríamos aprender a lição
Que só nos seria permitido a submissão

E os homens diferentes chegaram
E com eles vieram as lágrimas, o sofrimento
E com eles vieram a morte e a solidão
E com eles vieram o medo e a prisão

E os homens diferentes chegaram
E com eles eu aprendi a ter fé, a ter consciência
E com eles eu aprendi a lutar, a perseverar
E com eles eu aprendi a perdoar
E com eles eu também aprendi que não posso esquecer
E com eles eu também aprendi que não pode,de novo,acontecer...........

Soweto Blues, entre o nunca esquecer e o sempre perdoar..........
http://www.youtube.com/watch?v=oJiqvPMQXAc