sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Os imigrantes



Nosso planeta é repleto de nações, povos, povoados e tribos, cada um com suas tradições, temperos, comidas, bebidas, vestimentas, ritmos e danças. Dentro deste contexto, nosso país surpreendente pela diversidade e riqueza cultural, com uma forte contribuição dos imigrantes, cuja beleza e versatilidade vai do Oiapoque ao Chuí.

Fomos comemorar meus 60 aninhos, em Bento Gonçalves, um lugar muito agradável onde pudemos passear pelas vinícolas do Vale dos Vinhedos e fazer um passeio de trem Maria Fumaça, de Carlos Barbosa para Bento. Um passeio mágico o qual também fomos agraciados com uma aula de história sobre a imigração italiana para o Brasil, que ocorreu logo em seguida ao “êxodo” dos alemães, e um almoço fantástico embalado por polenta, massa, frango, salada, carne de gado e um belo vinho tinto.

Os italianos, como os alemães, enfrentaram grandes dificuldades para chegar a terra prometida, a “América”, e aqui chegando trabalharam muito para tentar se estabelecer e se adaptar em um outro país, uma nova cultura, um outro povo.  

No dia seguinte ao passeio, a Lu havia me reservado outra surpresa: um jantar embalado pela beleza da dança árabe. 

Toda dança tem a sua beleza, seu balanço, seu ritmo e o desafio daquele que a pratica é transmitir em movimentos toda uma gama de emoções proposta pela melodia. A dança árabe nos oferece algo de uma beleza intensa através de corpos uníssonos em um balé corporal onde cada som parece ser inspirado dentro de um contexto no qual cada braço, perna, quadril, seio, lábios e olhares nos oferece uma perfeita sintonia com um tom, algo que é impossível parar de admirar, de se emocionar. Além do belo espetáculo, nosso jantar foi regado a especiarias árabe com um maravilhoso vinho tinto produzido pelos italianos e seus descendentes em terras gaúchas.

Diante desta miscelânea cultural, a ocasião ficou bem interessante pois na “terra” dos italianos e seus descendentes, um show de dança árabe foi ,no mínimo, algo intrigante.

Para finalizar nosso passeio não poderíamos deixar de visitar as tradições alemães e fomos à Blumenau para conferir a Oktoberfest. Um novo show de tradições, vestimentas, comidas, sons e ritmos regados a salsicha, joelho de porco, chucrute e cerveja, feitas por alemães e seus descendentes no vale europeu catarinense.

A essência de um povo está na sua história e a nossa é composta pelo somatório das histórias e características de vários povos que compõem esta miscigenação mágica que nos une e oferece o que poderíamos chamar de "o melhor da globalização".

https://www.youtube.com/watch?v=Dyp-P5CqvtI

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O segredo do pajé

Há alguns muitos anos, li o livro “As aventuras de Tibicuera” do Erico Veríssimo.  O livro narra as aventuras, do índio Tibicuera, que se  iniciam em 1500 e terminam em Copacabana no ano de 1942, ou seja Tibicuera participa do descobrimento, da monarquia, da independência , da abolição da escravidão, da criação da república  e por aí vai. Um espírito “teimoso” que se faz perene, quem sabe, até os dias de hoje. Vocês devem estar pensando:
- Como alguém consegue viver tantos anos?
A resposta está no capítulo “O segredo do Pajé”, onde:

“ O remédio está aqui dentro, Tibicuera. Não há feitiçaria. O pajé gosta de ti. Ele te ensina. Escuta. O tempo passa, mas a gente finge que não vê. A velhice vem, mas a gente luta contra ela, como se ela fosse um guerreiro inimigo. Os homens envelhecem porque querem. Só muito tarde compreendi isso. Tibicuera pode vencer o tempo. Tibicuera pode iludir a morte. O remédio está aqui — tornou a bater na testa. — Está no espírito. Um espírito alegre e são vence o tempo, vence a morte. Tibicuera morre ? Os filhos de Tibicuera continuam. O espírito continua : a coragem de Tibicuera, o nome de Tibicuera, a alma de Tibicuera. O filho é continuação do pai. E teu filho terá outro filho e teu neto também terá descendentes e o teu bisneto será bisavô dum homem que continuará o espírito de Tibicuera e que portanto ainda será Tibicuera. O corpo pode ser outro, mas o espírito é o mesmo. E eu te digo, rapaz, que isso só será possível se entre pai e filho existir uma amizade, um amor tão grande, tão fundo, tão cheio de compreensão, que no fim Tibicuera não sabe se ele e o filho são duas pessoas ou uma só.”

É uma “visão” bem interessante sobre o que poderíamos entender como reencarnação.
Repentinamente esta bela ficção do Veríssimo me veio à mente outro dia quando sai para um lanche com o Th mais novo. Fiquei observando ele dirigindo do meu lado, lembrei de sua infância, sua adolescência e hoje na universidade. Nosso lanche foi regado a conversas sobre temas diversos e como não poderia deixar de ser, sobre a atual situação política do país e fiquei admirado com seu discernimento e sua maturidade
Tenho três filhos e o convívio com cada um deles foi, e é, um aprendizado gratificante no qual em várias ocasiões me vi/vejo na situação de “filho” e não de pai.
Sinceramente não sei como “adaptar” as lições de longevidade do pajé à dinâmica da vida contemporânea onde os relacionamentos afetivos são suscetíveis às intempéries dos apelos ao imediatismo, ao individualismo, ao consumismo, ao narcisismo, à disputa, ao egoísmo, ao individualismo em um mundo onde a prioridade passou a ser utilizar a tecnologia da virtualidade para mostrar o “eu estive lá”, “eu sou feliz”. Uma dependência emocional e “hormonal” do “like”, do “curtir” etc; mas com certeza tem algo que não mudou, não muda e jamais mudará que é o respeito da vida de um para com o outro, é o amor, a sinceridade, os valores, a ética, o exemplo que devem permear os relacionamentos familiares ou não.
Hoje além do convívio com meus filhos e minha querida Lu, tenho o privilégio do convívio com meus pais que tem 92 anos, mais um aprendizado gratificante na minha caminhada existencial.
Não consigo definir a dimensão de nosso relacionamento, avo-pai-filho, mas independente da “eternidade” de meu espírito, nosso convívio moldou o que poderíamos chamar de “eu”.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

E se você descobrisse que morreria na semana que vem, o que farias?


Há 10 anos eu rabiscava um texto cujo o título era “Um novo cinquentar”, na época eu ainda estava trabalhando em Telecom, morávamos em um apartamento e tínhamos uma cadelinha chamada Frida.
Meu texto foi embalado pelo amanhecer da chegada do já meio século de muitas idas e vindas, chegadas e partidas, encontros e desencontros, mudanças e escolhas, lágrimas e sorrisos e de passeios matutinos com a Frida, que gostava de carinho mas era muito tímida no carinhar.
Eu costumava dizer que se eu morresse antes da Frida, ela ficaria em uma situação difícil, pois a pequenina não saia de perto de mim, onde eu estava ela ia atrás como um “personal angel” canino a cuidar de seu “dono”. Frida partiu antes, creio que está no céu fazendo as pazes com Amora, que precocemente também partiu.
Não sei se isto acontece com todos que chegam aos 50 anos, mas naquele momento bateu em mim algo diferente dos outros aniversários, algo de recordações com pitadas de saudades daqueles, cuja separação geográfica e por razões diversas, se fez presente, daqueles que partiram para outras moradas da casa do pai e de momentos incríveis que permearam minha existência até então. 
Agora, na perspectiva da chegada dos “60”, há alguns dias, a Lu me perguntou:
- Não vais escrever nada para o sexagenário?
Confesso que isto me assustou, pois pela primeira vez percebi que se passaram dez anos desde a primeira metade, supondo que 50 seja uma metade plausível para algumas encarnações que tem a pretensão de só partir aos 100, uma “meta” que não leva em consideração as diretrizes firmadas na “pré” encarnação.
Fiquei pensando sobre a pergunta da Lu e há três semanas, em um determinado momento o qual estava assistindo uma palestra na casa espírita, a palestrante olhou para mim e me fez a seguinte pergunta:
- Se você descobrisse que morreria semana que vem, o que farias?
Olhei para ela, creio que um pouco atônito, e respondi:
- Eu não sei.
Esta pergunta ficou tatuada em minha mente, e desde então me vem com frequência como um enigma o qual eu preciso decifrar, independente da espiritualidade ou do grau evolutivo que eu pretensiosamente tenha alcançado.
Durante os últimos dez anos nossa vida mudou, estive professor por 5 anos, mudamos para uma casa que fica pertinho do Atlântico Sul, o Th do meio foi morar no vale europeu tupiniquim, me tornei o cozinheiro oficial da prole, e no tocante ao rango, redigi e aprovei a constituição culinária do lar , de parágrafo único, onde : todos tem o dever de comer o rango todo e o direito de nunca reclamar do mesmo. Um limite “imposto” para amenizar possíveis equívocos culinários.
E o que realmente mudou em mim nesses últimos 10 anos? Interessante pensar nisso neste momento de minha vida. Considerando as perspectivas de minha geração, pelo menos a maioria, nosso foco era programado visando a realizações materiais: estudar, arranjar um bom emprego, constituir uma família, ter filhos, carro, uma casa, se aposentar e ir morar perto do mar. Isso eu consegui, e daí? É isso? E depois, qual os novos desafios, as metas? Creio que o grande desafio é a busca perene do aprender e do reaprender com os mais velhos e com os mais jovens, é encontrar a espiritualidade relegada ao segundo plano, é encontrar a serenidade e o discernimento necessários para prosseguir a caminhada em um mundo cuja dinâmica, infelizmente, nos convida ao individualismo, a futilidade, ao consumo, a superficialidade e ao falso entendimento de que nossa materialidade não é efêmera.
Na soleira do Atlântico Sul descobri que:
- meu inferno é do tamanho de meu orgulho, de meu egoísmo e de minha vaidade e os degraus de minha evolução, um desafio dioturno, são: a gratidão, o perdão, a indulgência e a caridade
- acordar todos os dias, ouvir, cheirar, ver, caminhar, falar, sentir, respirar são dádivas que carecem de cuidados 
- não precisamos de muito dinheiro, o belo está no simples, cozinhar é um prazer, a paciência é sublime, a amizade é um tesouro, o amor rejuvenesce
- o vento e a lua fazem do mar um "ser" passional
- a visita anual das baleias é uma emoção que nos remete à infância
- o vento gelado que sopra do Sul me encanta 
- quem ama cuida, quem cuida doa
- minha outra metade existe e preenche minha solidão existencial.
Enfim, se eu morresse daqui a uma semana, em meu último “enta” definido pelo destino, pelo acaso ou quem sabe pelos desígnios de Deus, eu consiga ter alcançado o que está resumido na letra da canção do poeta:
“Já sei olhar o rio por onde a vida passa, sem me precipitar e nem perder a hora”
By Brother60

terça-feira, 28 de março de 2017

Nas asas da TAM


Olá pessoal, há muito tempo não publico nada,  mas hoje não sei porque me veio a saudade de uma galera que recebia todas as sexta feira, como castigo, um e-mail meu.
Então segue um de 2009, para galera matar a "saudade".

E aí nômades e nativos, só no verão do outono?
Na sexta, fui resolver umas “pendengas” na terra do pequi, em um tour very fast.

Peguei o TAM BUS às 06:30h em Floripa e cheguei na Capital do Goiás às 10:10h.

Resolvi minhas paradas, fui para rodoviária, aliás a “rodo” de Goiânia é bem legal, peguei um buzu às 13h  e cheguei no DF , cuja “rodo” é uma M...., às 16h.

A princípio iria retornar somente no domingo, mas devido a outras pendengas na ilha, fui para o aeroporto da capital federal tentar trocar a passagem de 3000 pontos em uma , a princípio, de 10000 pontos.

Chegando no aeroporto estava aquela coisa linda (essa eu estou aprendendo com os manezinhos) , uma porrada de gente, fila para tudo que é lado e aquele êxodo peculiar da “corte” nos finais de semana.

Eu estava no maior rango e deixei para jogar aquela conversa fora com a menina TAM , após forrar o bucho.

Encarei aquele rango básico no Girafas, tomei uma bem gelada, fiz uma horinha e fui tentar a sorte.

Chegando no balcão, com aquela cara de menino pedindo colo, perguntei para a moça simpática :

- Haveria possibilidade de trocar minha passagem para hoje ou amanhã?

Ela disse :

- Deixa eu verificar

Após alguns tec tec no teclado veio a notícia ,

- Pode ser no voo das 21:51h ?

Pensei comigo? Era tudo o que eu queria, voltar sem escalas e ainda hoje! aí eu disse :

- Pode sim .

A menina me entregou a passagem, assento 19C e mais uma vez eu pensei :que coisa linda.

Liguei para a Lu dando as boas novas e fui esperar minha cunhada e meu sobrinho na praça de alimentação onde ninguém sabe onde tem um Cyber Café , mas ele está lá, no Mezanino do aeroporto.

Ficamos batendo um papo, a hora foi passando, nos despedimos e eu fui para o voo 3075 , Brasília - Florianópolis no stop, ou seja , “diretasso”.

Mais ou menos na hora foi anunciado o desejado embarque e aí começou a ficar interessante.

O brother da locução disse :

- Senhores passageiros do voo TAM 3075 com destino Florianópolis, a nave se encontra em solo e assim que for autorizado o embarque , o mesmo será pelo portão 13.

Portão 13? , não era no 12?

Bem, a galera apressada, não sei porque pois o assento é marcado, foi fazer fila em frente ao portão de embarque.

A galera que tem mais horas de voo percebeu que iria demorar um pouco e ficou relaxada, sentada e olhando os “bobões”.

Foi anunciado o embarque. Prioridade para crianças, idosos e a galera do fundão, pois os do início entram depois, o que é bem lógico.

Eu como estava com a 19 entrei nessa leva e fiquei observando os “bobões” do início da fila , que por sinal só pedem cadeiras da 12 para frente e entram por último.

Me veio até aquele lance de os últimos serão os primeiros , aquela sacanagem básica , saca?

Enfim todos sentados dentro do AIR BUS 320, mas o bicho não se mexia, depois de alguns minutos surge a voz a lá Cid Moreira do ilustríssimo comandante:

- Senhores passageiros, boa noite, sejam benvindos a bordo do jato Airbus A320 da TAM com destino a Florianópolis. Nossa demora está sendo devida a uma verificação em um dos nossos computadores e deve levar uns 10 minutos, que é o tempo estimado para o início de nossa viagem.

Verifica dali, verifica daqui e o AIR BUS iniciou sua partida às 22:30h.

Durante aquela procissão para pegar a cabeceira da pista, notei que durante o deslocamento ocorria um barulho não habitual embaixo do grande pássaro.  

Pensei comigo? Se eu estou escutando o barulho o piloto e a tripulação também estão, e se estamos indo em frente deve estar tudo OK.

Pegamos uma carona no rabo de um GOL e ganhamos o céu do Planalto Central.

Fomos subindo, subindo e depois de uns 25 minutos, repentinamente, um puta de um barulho debaixo do grande pássaro, mais um , mais um e mais um .

Todo mundo ficou mais assustado do que do que gato com busca pé amarrado no rabo.

Um silêncio sepulcral tomou conta do interior .

Os mais viajados notaram que o ilustre comandante diminuiu a velocidade e meu colega da 19 A, constatou no seu GPS (que deu uma pequena confusão entre ele e a tripulação pois ele não queria desligar) que nossa velocidade era de 740KM e não os famosos 840KM .

Eu olhei para ele e disse :

- Brother eu acho que o piloto abaixou o trem de pouso e subiu em pleno voo?

Começaram a servir aquele basic hot sanduba , pediram para a galera relaxar e informaram que estava tudo bem.

O nosso querido Cid Moreira voltou a dar o ar da graça  e comunicou exatamente o que eu havia falado/pensado:

-Senhores passageiros , o barulho que os senhores ouviram foi devido a uma indicação em nossos computadores de que uma das comportas do trem de pouso dianteiro não havia fechado e tivemos que refazer o procedimento. Agora está tudo belezinha.?

Afinal depois de 34 anos voando pelo céu desse belo país eu já tenho alguma experiência no assunto........

Bem, o resto do voo foi muito bom, muito tranquilo e chegou o momento do anuncio da tão esperada aterrissagem, aí eu pensei comigo :

- Se foi complicado subir o trem de pouso, será que vai ser fácil desce-lo ??

Não preciso dizer que o pouso do grande pássaro ocorreu dentro da normalidade e com aquele habitual levantar apressado/estressado dos passageiros “bobões” que adoram atrapalhar, empurrar e espremer uns ao outros, algo que os especialista em comportamento humano devem saber explicar.

Enquanto isso eu fico ali , sentadinho e relaxado. Depois da passagem da boiada eu levanto e sigo na mais que perfeita tranquilidade.

Ao descer do avião havia um profissional da TAM, com uma lanterninha na mão, verificando o nosso VILÃO.

Que coisa mais linda ............................................

Um belo final de semana para todos.

By Brother51º

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Em 2017, vamos fazer diferente, vamos colonizar nossos corações.

Foto do site bing.com/imagens

Em 2016 ocorreram 23 ataques terroristas no mundo.
Boko Haram e Estado Islâmico passaram a fazer parte do cotidiano dos noticiários, além da barbárie na Síria que persiste com a “anuência” e o “patrocínio” dos governantes mundiais.
Diariamente centenas de pessoas, por medo e opressão, se aventuram ao mar tentando chegar à velha terra prometida, Europa.
Terremotos, tsunamis, vulcões, furacões e tornados levantam-se como cavaleiros da natureza, como todo o sempre, a nos lembrar nossa pequenez.
A população mundial cresceu dez vezes mais nos últimos 200 anos, do que nos milhares de anos predecessores.
Fome, miséria, doenças continuam perenes, como uma herança existencial, para alguns povos, notadamente africanos, cujo “karma” parece definir um destino imutável.
O planeta reclama sustentabilidade, e nós continuamos com nossas sacolas plásticas, nossas garrafas pet, nossos carros e com nossa vaidade maltratando a terra.
As ideologias teóricas e pragmáticas dos políticos, se perdem na vaidade do poder, afinal como alguém disse “A conquista enobrece mas a posse avilta”.
A dinâmica da tecnologia, a Internet e nosso modelo sócio econômico, nos convida ao virtual, ao individualismo, ao narcisismo, ao consumo e a solidão, um momento histórico que poderíamos chamar de a Revolução da superficialidade.
Nosso DNA já não é tão misterioso, e em breve poderemos escolher as características de nossos herdeiros, viver 200 anos e plagiarmos Andrew Martin.
Talvez o planeta venha derreter mas poderemos morar em Marte ou quiça em outra Galáxia.
Tragédias continuarão acontecendo mas , felizmente, alguns nos lembraram que existe algo mais sublime no ser humano: o amor, a compaixão,a caridade. Medellín é muito mais digna do que um Cartel e diante desses fatos nos lembraremos de Drummond:
...Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.”
Um belo 2017 para vocês.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Debate


O Th mais novo olhou para mim e disse:
- amanhã tem um debate no CCJ na UFSC às 18:30h referente a situação política atual, queres ir ?
A situação política atual me faz pensar que vivemos em um remake do magnífico 1984 do George Orwel, com um enfoque diferente , mas com alguns Big Brother  tupiniquins espalhados pelos respectivos poderes, manipulando a informação de acordo com seus respectivos interesses. Diante deste fato, respondi: 
- to dentro
A mesa do debate foi composta por dois juristas e uma historiadora, durante 90 minutos nos foi apresentado os aspectos jurídicos, políticos e históricos em relação ao processo de impeachment.
Não vou entrar em julgamento de valores pois o tema é complexo e  inusitado, até o judiciário tem interpretações distintas em relação a matéria, mas a conclusão após debate foi que juridicamente o processo de impeachment não tem sustentação, ou seja, é insipiente. Diante deste fato surge a seguinte dúvida: Porque o processo então ?
Entendo que a presidente não soube fazer o que poderíamos chamar de “networking político” , é aquela coisa que funciona muito bem, na cabeça hipócrita de alguns, visando a perenidade do cargo, é chamar o povo que tem poder de decisão para aquele famoso churrasco, aquela degustação de vinho, aquele dia na casa da praia (no caso em questão no palácio da Alvorada) e por aí vai. O cara pode até não gostar de você, mas aquela picanha uruguaia/argentina, aquele destilado doze anos estavam excelentes e era boca livre.
Independente das pedaladas fiscais, ou qualquer outro “deslize”, serem legais ou não, o networking bem “praticado” irá manter o poder, acho que o processo contra o “ilustre” presidente da câmara é uma prova disto.
Na minha visão de leigo, nossa democracia de coalizão é feita na base do “aos amigos tudo e aos inimigos apenas o rigor da lei”, infelizmente. Creio que esta quantidade exorbitante de partidos “P EVERYTHING”, facilita esta politicagem do toma lá da cá.
Sinceramente minha intenção não é polarizar ou criar radicalismos, mas é lastimável algumas pessoas, nos dias de hoje, dizerem que tem saudades da “Dita Dura”, ou constatar que na preferência do eleitorado fluminense/carioca, na última eleição, em relação a quantidade de votos, foi :
Jair Bolsonaro
Clarissa Garotinho
Eduardo Cunha
Hoje é imputado, a presidente Dilma todas as mazelas de nosso povo, pois somos muito facilmente influenciáveis e passionais em relação as informações tendenciosas apresentadas pela mídia.
Não estou defendendo a presidente ou o Lula, não estou defendendo a corrupção, mas aqui para nós meu brother, em relação aos poderes, quem tem respaldo moral para atirar a primeira pedra?
Este fato histórico,  nos permiti uma oportunidade ímpar, ou seja, conhecer um pouquinho do “modus operandi” do jogo do poder, cabe a todos uma reflexão e uma tomada de decisão em relação ao que poderemos fazer para mudar algo tão vergonhoso.
Nosso país não se resume a um pão com  mortadela versus um pão com presunto, podemos e devemos ser muito mais do que este posicionamento radical, temos nossos direitos e deveres como cidadãos e toda forma de radicalização empobrece o debate, acaba com a troca de ideias e permite a manipulação, afinal :
“Não concordo com nada do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dize-las.” Voltaire.
Quem sabe um “iluminista” descerá dos céus em seu cavalo alado para nos salvar.
Nota : gratificante poder participar de um debate tão importante, idealizado por jovens alunos do curso de Direito da UFSC. Isto é o que podemos chamar de:  o exercício da cidadania sob a batuta do Estado Democrático de Direito. Parabéns meninas e meninos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Simplesmente Amora

Estávamos as vésperas da mudança para a casa. O Th do meio chegou em casa falando :
- a cadela do sogro do porteiro deu cria e ele está doando.
Como íamos para uma casa e a Frida é pequenina, eu e a Lu concordamos em adotar um filhote de maior porte . A Lu para variar determinou:
- tem que ser fêmea.
Lembro do dia que pegamos Amora. Era linda, foi amor a primeira vista  e ela  já demonstrava que ia dar trabalho.
Amora cresceu fazendo aquele monte de merda que cachorro levado faz :
- roia tudo, do para lama do carro aos pés das cadeiras
- destruiu uma parte do jardim
- detonou as bromélias
E por aí foi. Cresceu bastante e por questões de gênero e idade quase matou a pequena Frida umas quatro vezes.
A Lu sempre falava para Amora:
- você não pode brigar com a “rimã” (leia como está escrito), o teu nome é Amora, de amorosa. Dá beijo na mãe, dá beijo; e Amora dava aquela lambida básica no rosto da Lu.
Aqui no Pântano, Amora era minha parceira de caminhada e as vezes dava um trabalho danado pois queria  pegar as corujas e os quero-queros.
Um dia fui pegar Amora no PET,  a atendente ao trazê-la abaixou para pegar alguma coisa que não lembro então Amora deu-lhe uma lambida do queixo até a testa; rimos bastante.
Amora caçou passarinhos, pegou gambá, escondia osso, "odiava" carteiros, motos e o pessoal da limpeza urbana.
Amora gostava de banana, maçã, jabuticaba e acerola.
Amora para mim era Morita
Amora era agitada e calma, brava e dócil, obediente e levada.
No dia 19 de outubro levamos Amora para castrar, pois não queríamos que ela tivesse câncer ou uma gravidez “indesejada”, pois não teríamos como ficar com possíveis filhotes e com certeza não iríamos abandonar os pequeninos.
Amora operou e foi para casa no dia 20. Recuperou bem e parecia já estar quase totalmente recuperada da cirurgia. No dia 23 às 1h43 ouvimos um uivo visceral e depois outro, a Lu levantou e foi ver Amora, ela estava paralisada e atônita no jardim, enquanto a Lu me chamava, Amora deitou na grama e percebemos seu vomito no chão. Pegamos Amora , forramos o chão da garagem com uns panos e colocamos Amora neles. Amora estava com o olhar triste e respirava um pouco ofegante. Liguei para o veterinário ele fez algumas perguntas e acertamos que as 08h eu levaria Amora na clínica.
Ficamos com Amora por alguns minutos ela parecia bem e voltamos a dormir às 3h. A Lu levantou as sete e trinta e foi ver Amora, ela estava caída, inerte . Havia morrido.
Levei  Amora na clínica, após a autopsia o veterinário me chamou e me mostrou o que foi verificado ; ele me mostrou uma perfuração entre o estômago e intestino e seu pâncreas. Segundo ele, estava maior que o normal, na região da operação parecia tudo normal.
O veterinário ficou de enviar o que foi coletado para laboratório para tentar descobrir o que realmente aconteceu.
Fiquei alguns momentos olhando para Amora e foi muito triste vê-la naquele estado.
Bem, Amora se foi, foram quatro anos de convívio, guardaremos Amora em um cantinho amoroso de nossos corações e com a alegria que ela bondosamente nos presenteava todos os dias.
Afinal todos os cães merecem o céu.